Como comunicar os 100 dias de governo (mesmo quando pouca coisa saiu do papel)
- Estratégia Parlamentar
- há 2 dias
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Atualizado: há 4 horas

Chegamos à marca dos 100 dias de governo — aquele momento simbólico que costuma ser visto como o primeiro grande termômetro de uma gestão.
Mas será que 100 dias é tempo suficiente pra mostrar resultado? O que realmente dá pra fazer nesse período? E como comunicar isso mesmo quando pouca coisa saiu do papel?
A ideia aqui não é romantizar nem condenar: é trazer um olhar administrativo e realista, com foco nas entregas possíveis, na construção de imagem pública e na importância de alinhar expectativa e comunicação.
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Por que os 100 dias viraram um marco?
Essa história dos 100 dias começou nos Estados Unidos, com o presidente Roosevelt. Era um jeito de mostrar que, mesmo no início de uma gestão, já era possível apontar um norte, mostrar serviço, dar sinal de rumo.
Aqui no Brasil, esse marco foi adotado por prefeitos, vereadores e outros gestores como um momento simbólico para apresentar conquistas iniciais, organizar discurso e demonstrar trabalho.
Mas será que vale mesmo entrar nessa corrida? A resposta depende de como se encara esse marco: como uma obrigação de entregar tudo — ou como uma chance de estruturar e comunicar bem os primeiros passos.
O que dá pra fazer em 100 dias (de verdade)?
Vamos tirar a fantasia e olhar para a realidade.
Cem dias são, na prática, três meses e alguns dias. É tempo para:
• Montar equipe e ajustar funções.
• Reestruturar processos internos que estavam travando a gestão.
• Fazer um diagnóstico técnico e político da máquina pública.
• Estabelecer prioridades realistas.
• Iniciar pequenas entregas de alto impacto, com retorno rápido.
Mas não é tempo suficiente para reformar uma escola inteira, pavimentar um bairro completo ou lançar um programa estruturante que envolva diversas secretarias.
O grande desafio é comunicar o que foi feito, mesmo que ainda seja invisível aos olhos da população.
A importância da comunicação nos 100 dias
Se a entrega ainda não apareceu nas ruas, ela precisa aparecer na narrativa.
E é aí que entra o trabalho da assessoria: mostrar bastidores, decisões, economia de recursos, reorganização de estruturas e articulação com a população. Isso é entrega política, mesmo que ainda não seja entrega física.
Exemplos de pauta que funcionam nesse momento:
• “Prefeitura economiza R$ 200 mil com nova licitação da merenda.”
• “Vereador visita comunidades e levanta demandas que já estão em análise.”
• “Secretarias são reorganizadas para dar agilidade às novas obras.”
Essa construção de narrativa mostra trabalho. Mostra intenção. E, principalmente, mostra presença.
O que fazer se ainda não deu tempo de mostrar nada?
É comum ouvir: “Mas não deu tempo de fazer nada ainda…”
Tudo bem. O erro é tentar parecer que está tudo pronto quando não está. Isso quebra a confiança.
Neste momento, a comunicação precisa ser transparente e estratégica:
• Mostre os processos em andamento.
• Mostre o que estava travado e agora está destravado.
• Mostre escuta ativa com a população.
• Mostre o compromisso com o futuro — sem prometer milagres.
Não prometa o que não vai entregar agora. Prometa continuidade, planejamento e coerência.
A grande virada: como usar os 100 dias a seu favor
Mesmo que você ache que não fez tanto, os 100 dias ainda podem ser um ponto de
virada na comunicação.
• Reveja o plano de governo.
• Cruze com o que já foi iniciado.
• Comece a estruturar o primeiro semestre com base nesse balanço.
• Construa uma linha de comunicação que mostre trajetória, e não só resultado.
A palavra-chave aqui é movimento.
As pessoas querem ver direção, intenção, evolução.
Não precisa estar tudo pronto — mas precisa estar caminhando.
Os 100 dias são um marco. Mas não pelos números.
Eles importam porque sinalizam o início da trajetória.
Se você é assessor ou está na linha de frente de um mandato, use esse momento como oportunidade de estruturar a narrativa de um ciclo.
É o começo da história.
E a forma como essa história começa… influencia muito em como ela será lembrada.
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